Diagnóstico Técnico · Faturamento SUS · Estado de Roraima

R$ 198 milhões por ano deixam de entrar na saúde pública de Roraima.

Produção que a rede já realiza, mas que não é faturada, por falta de habilitações no CNES e sub-registro. O potencial instalado é de R$ 205 a 225 milhões por ano. É onde dói, e é onde está a virada.

56%
do potencial SUS é o que a rede opera hoje
R$ 198 mi
de perda estimada por ano
R$ 205–225 mi
potencial de faturamento anual
Análise técnica · Repasse Fundo a Fundo

Mesma faixa de população. Roraima recebe menos por habitante que os vizinhos.

EstadoPopulaçãoRepasse FNS / mêsPor hab. / mês
Roraima716.793R$ 14,4 miR$ 20,10
Amapá802.837R$ 22,0 miR$ 27,43
Acre880.631R$ 23,2 miR$ 26,34

Com população na mesma faixa dos vizinhos, Roraima recebe cerca de 26% menos por habitante. A causa não é o tamanho do Estado, é a falta de informação enviada ao Ministério da Saúde.

Dados oficiais do Fundo Nacional de Saúde · repasse mensal
Repasse x população · municípios de referência

Pelo mesmo tamanho de população, Roraima deveria receber mais que o dobro.

Referência (ajustada à população de Roraima)População baseRepasse projetado / mês
Roraima (hoje)716.793R$ 14,4 mi
No padrão de Londrina / PR716.793R$ 32,6 mi
No padrão de Maringá / PR716.793R$ 33,7 mi
No padrão de Pato Branco / PR716.793R$ 34,4 mi

Aplicando o repasse por habitante de municípios bem geridos à população de Roraima, o Estado captaria R$ 32 a 34 milhões por mês. Hoje capta R$ 14,4 milhões.

Projeção per capita aplicada à população de Roraima · base Fundo a Fundo
O problema, em um número
56%
é o quanto do potencial SUS a rede pública de Roraima opera hoje.
Cenário atual x potencial · rede estadual

O mesmo sistema pode faturar cinco vezes mais.

AIHinternação
R$ 31,4 mi
potencial AIH
R$ 240 mi
BPAambulatorial
R$ 19,4 mi
potencial BPA
R$ 35 mi

Faturamento total: de R$ 50,8 milhões para R$ 275 milhões por ano. Mais de R$ 225 milhões extras, que hoje ficam na mesa.

O que trava o faturamento

Três gargalos, todos resolvíveis.

1 · Habilitações no CNES

Leitos de UTI, cirurgia cardíaca, bariátrica e nutrição enteral/parenteral não cadastrados. Sem habilitação, não há como faturar.

2 · Registro e codificação

Contas não apresentadas, ausência de sistema gestor e glosas recorrentes. O serviço é feito, mas não é cobrado.

3 · Predomínio de baixa complexidade

Faturamento concentrado em BPA de baixo valor. A alta complexidade fica de fora por falta de habilitação.

O caminho

A virada é de gestão, não de obra.

Revisão e auditoria

Remessa completa das AIH ao Ministério e monitoramento contínuo antes do envio ao SIH e BPA, corrigindo inconsistências.

CNES e habilitações

Atualizar o cadastro para refletir o que é prestado e pleitear as habilitações já atendidas e as novas.

Crescimento

Margem de receita entre 29% e 252% por unidade, alcançável com boas práticas e gestão de faturamento.

Mesma capacidade, faturamento diferente

O HGR produz como um hospital de referência, mas fatura 7x menos.

Hospital Angelina Caron · 2024
AIH faturadas36.383
Valor AIHR$ 128,9 mi
Procedimentos BPA837.341
Valor BPAR$ 52,3 mi
Faturamento totalR$ 181,2 mi
Hospital Geral de Roraima · 2024
AIH faturadas11.168
Valor AIHR$ 17,8 mi
Procedimentos BPA842.474
Valor BPAR$ 8,9 mi
Faturamento totalR$ 26,7 mi

O HGR faz mais procedimentos ambulatoriais que o Angelina Caron. Arrecada menos porque não tem as habilitações que permitem cobrar a alta complexidade.

Estrutura já instalada no HGR

Leitos que existem, atendem, mas não estão habilitados.

UTI Adulto Tipo IIjá habilitados
47 leitos
não habilitados
45 leitos
UTI Coronariana UCOnão habilitados
10 leitos

O HGR tem porte compatível com unidades de excelência do SUS. Faltam o sistema de gestão integrado e as habilitações para converter assistência em faturamento.

Receita a destravar no HGR

Cada habilitação é uma linha de receita parada.

UTI Tipo II · 45 leitos a habilitar
R$ 9,7 mi
UTI Coronariana · 10 leitos a habilitar
R$ 2,9 mi
Cirurgia cardiovascular · referência Londrina/PR
R$ 29,8 mi
Nutrição enteral e parenteral · hoje sem habilitação
R$ 2,2 mi
Incremento potencial no HGR com habilitações + gestão
R$ 45,3 mi/ano
Valores anuais · comparativo com hospital de porte semelhante (Londrina/PR)
Projeção do HGR · regularizado

De R$ 26,7 milhões para R$ 225 milhões por ano.

AIHalta complexidade + retidas
R$ 150 mi
BPAnovos serviços
R$ 55 mi
Transplantesapós habilitação
R$ 20 mi

Projeção conservadora de R$ 205 milhões, chegando a R$ 225 milhões com transplantes. Acima do faturamento atual do próprio Angelina Caron.

O resumo do HGR
Fatura hoje
R$ 26,7 mi
Poderia faturar
R$ 225 mi
R$ 198 mi
por ano de perda estimada, por falta de habilitações e sub-registro.
Não é só o HGR · rede do Estado

Cada unidade tem a mesma história.

UnidadeFatura hojePotencialCrescimento
Hospital da MulherR$ 167 milR$ 557 mil+233%
Unidade São João da BalizaR$ 145 milR$ 334 mil+130%
Hospital Epitácio de A. LucenaR$ 143 milR$ 324 mil+126%
Unidade Mista de CaroebeR$ 106 milR$ 211 mil+100%
Regional Sul (Ottomar de S. Pinto)R$ 2,44 miR$ 4,66 mi+91%
Hospital Délio de O. TupinambáR$ 408 milR$ 772 mil+89%
Unidade Mista Irmã AquilinaR$ 145 milR$ 271 mil+86%
Unidade Mista Ruth QuitériaR$ 133 milR$ 231 mil+73%
Hospital Universitário da UFRRR$ 4,86 miR$ 7,55 mi+55%
Materno Infantil N. S. de NazarethR$ 27,8 miR$ 34,6 mi+24%
Faturamento jan/2023 a abr/2025 · projeção com habilitação e gestão
A conclusão

O que separa o atual do potencial não é estrutura. É organização, controle e conhecimento.

O prêmio está na mesa

R$ 198 milhões por ano que a saúde de Roraima já produz, e ainda não recebe.

O diagnóstico completo está pronto: unidade por unidade, com o caminho de habilitação e o ganho projetado de cada hospital do Estado. Disponível para apresentação quando o senhor quiser.
"Quem entende o que produz, valoriza o que entrega. E quem valoriza, fatura."
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